Foral

A reacção é dos princípios mais simples da vida orgânica. Quando estimulados, quando provocados, reagimos, mudamos o nosso estado anterior, produzimos uma reacção. Nada mais genésico, nada mais fundador, desde a primeira reacção em que gritamos quando o ar nos invade as entranhas pela primeira vez após a expulsão do útero materno. Passamos o resto da vida a reagir, a responder, a opormo-nos, a lutarmos contra o que nos querem impor e pelo que acreditamos.

Começamos com o mítico Grito de Almacave – “Nós somos livres, nosso Rei é livre, nossas mãos nos libertaram” – supostamente proferido nas lendárias Cortes de Lamego. Representa este grito os nossos propósitos: a defesa da nossa liberdade, da liberdade de ser português, da liberdade do nosso Rei, isto é, da diferença de ser judeu-cristão-católico-romano, português, latino, europeu, ocidental. Não cultivamos a diferença como modo de ataque ao outro, mas como defesa do inalienável do outro, do inalienável de qualquer outro. Cultivamos a diferença contra a ditadura da igualdade, do politicamente correcto, do status-quo.

Declaramo-nos imediatamente reaccionários a todos
os que querem vender, ceder, enxovalhar ou empobrecer a soberania. Seremos
reaccionários porque olharemos em primeiro lugar para a cultura portuguesa,
para a sua história, para a sua diferença em relação às demais culturas
ibéricas, europeias, mundiais. Seremos reaccionários às perspectivas marxistas
e neo-marxistas, mesmo às supostamente liberais ou conservadoras impregnadas da construção ideológica marxista. Seremos reaccionários a acordos ortográficos e outras diatribes do modernismo quando entendido como fenómeno de modas ou de puras influências exteriores desnecessárias e supérfluas. Gostamos do estranho, do diferente por ser precisamente estranho e diferente, e não para nos igualarmos a ele. Defendemos a cultura latina e mediterrânica de matriz greco-cristã como raiz da cultura europeia e do ocidente, reagindo à ideia de inferioridade do sul em face do norte.

Seremos reaccionários por gosto e por necessidade, sem com isso querer dizer que sejamos reaccionários ao modo como a esquerda o quer e gosta de (im) pôr. Seremos reaccionários sendo de direita, sendo católicos e conservadores tradicionalistas, ou seja, defendendo e praticando tudo o que o pensamento dominante esquerdófilo considera repugnante e abjecto. Seremos reaccionários desconstruindo as categorias herdadas, puxando-lhes os fios da contradição e da ideologia dominante.

Alexandre Herculano disse um dia que “a reacção, como sucede em todas as reações, ultrapassa, não raro, os limites do justo”. É precisamente isso que nos propomos: chegar aos limites do justo. De outro modo: voltamos a tactear a Khôra .

Viva Portugal! Viva a reacção!