Rádio e Televisão da Parvoíce

A parábola dos cegos, de Pieter Bruegel

 

Se a notícia tiver fundamento, no fim de contas a montanha vai parir um rato. Pior do que a solução – que, a ser a real, até será próxima da sensatez – é o modelo de governação subjacente. Ou melhor, de desgovernação. É impressionante que não haja no Governo uma cabeça que tenha um projecto para o país, que não passe por discutir tudo em praça pública depois de anunciar soluções extremas e radicais, retirando/recuando depois para ficar tudo como estava. Esta gente parece confundir democracia com debate e não percebe patavina do que seja governar ou deter o poder. Incapazes de reflectir, não percebem que lhes cabe a eles apontar o caminho, decidir, sendo por isso que o poder acaba por ser – desde sempre – absolutamente solitário. Mesmo quando se está no meio da multidão, ou a propósito, à frente de uma qualquer câmara de televisão.

Nem Tancredo, o sobrinho do Príncipe de Salina, se lembraria de tal coisa!